(09/09) - A gaúcha Mayra Aguiar deu ao Brasil, na manhã dessa quinta-feira, o melhor resultado do judô feminino em Campeonatos Mundiais Sênior. A judoca de 19 anos conquistou a medalha de prata na categoria meio-pesado no Mundial de Tóquio na decisão contra a americana Kayla Harrison.
Antes dela, o pais somava três bronzes com Edinanci Silva(1997 e 2003), também no meio-pesado, e Danielle Zangrando(1995) no peso leve. Curiosamente, das quatro medalhas das mulheres brasileiras, três foram ganhas no Japão: 1995, Tóquio e 2003, Osaka. Em 1997, o Mundial foi em Paris.
No masculino, o destaque do primeiro dia foi o jovem Rafael Silva, que terminou em quinto no pesado ao perder a disputa do bronze para o francês Matthieu Bataille. No total, o Brasil soma 20 medalhas (quatro ouros, três pratas e 13 bronzes) desde 1971 (em 11 mundiais).
- Estamos reescrevendo a história do judô feminino do Brasil. Em 2008 conquistamos nossa primeira medalha olímpica e, agora, chegamos à nossa primeira final em Mundial - comemora a técnica Rosicleia Campos. “Temos mais três dias para realizar o sonho maior, que é chegar ao ouro”, completa.
Dona do recorde de três medalhas em Mundial Júnior(bronze em 2006, prata em 2008, ambas no peso médio, e bronze em 2009 já no meio-pesado), Mayra esteve perto do ouro no Japão. A luta final foi decidida apenas no golden score(a prorrogação no judô). As duas finalistas já haviam se encontrado em outras ocasiões esse ano, com uma vitória para cada lado. A americana, 11ª do ranking mundial, venceu na Copa do Mundo de São Paulo e a brasileira levou a melhor na final do Campeonato Pan-Americano.
A judoca brasileira esteve em um dia inspirado, batendo em sua campanha até a decisão a corena Gyeong-Mi Jeong(8ª do ranking mundial), a vice-campeã olímpica Yallenis Castillo(CUB), a campeã olímpica Xiuli Yang (CHN), a alemã terceira colocada do ranking mundial, Heide Wollert para só parar diante da americana Harrison (campeã mundial júnior de 2008).
Contra a chinesa campeã em Pequim 2008, Mayra aplicou um ippon em 28 segundos. “Estudei bastante os golpes dela, mas não sabia que a chinesa era a campeã olímpica. Acho que foi melhor assim”, sorri Mayra, ainda com jeito de menina. “É muito bom subir ao pódio e levar o Brasil junto comigo”, completa a companheira de clube de João Derly, primeiro campeão mundial da história do judô brasileiro.
Acompanhando pela internet as lutas, Derly (campeão em 2005 e 2007) vibrava a cada vitória de Mayra. “Ela estava com jeito de campeã, fez uma bela competição”, elogiou Derly, que se recupera de uma lesão no joelho.